Viajar é um direito de todos, mas para pessoas com deficiência a experiência começa muito antes da viagem propriamente dita: começa na hora de descobrir se o hotel escolhido realmente tem estrutura para recebê-las. Acessibilidade em hotéis e pousadas não é um diferencial de mercado, é uma exigência legal — e entender o que ela envolve é fundamental tanto para hóspedes quanto para gestores do setor.
O que a legislação brasileira exige
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece a acessibilidade como direito fundamental das pessoas com deficiência, determinando que edificações de uso público e coletivo — categoria que inclui hotéis, pousadas e flats — devem ser projetadas e adaptadas para permitir o acesso e a utilização por todas as pessoas, com autonomia e segurança. A norma técnica ABNT NBR 9050/2020 é a referência que detalha, na prática, como essa acessibilidade deve ser implementada em cada tipo de ambiente do estabelecimento.
Isso significa que um hotel acessível não pode se limitar a ter uma rampa na entrada. A acessibilidade precisa estar presente em toda a jornada do hóspede: da vaga de estacionamento reservada à recepção, dos corredores aos elevadores, das áreas comuns — como restaurante, piscina e salão de eventos — até o quarto e o banheiro adaptado.
Unidades habitacionais acessíveis
Um dos pontos centrais da norma é a exigência de que parte das unidades habitacionais do hotel sejam acessíveis, com banheiro adaptado, área de circulação compatível com cadeira de rodas, mobiliário em altura adequada e sinalização apropriada, incluindo recursos para hóspedes com deficiência visual ou auditiva. A ABNT NBR 9050/2020 estabelece um percentual mínimo de unidades acessíveis conforme o porte do estabelecimento, que deve ser calculado já na fase de projeto ou de adequação do imóvel existente.
Um investimento que amplia o público
Além de cumprir a legislação, adequar um hotel ou pousada para a acessibilidade amplia significativamente o público atendido: pessoas com deficiência, idosos, famílias com crianças pequenas e viajantes com mobilidade reduzida temporária, por exemplo, após uma cirurgia. Um estabelecimento acessível transmite cuidado, atenção aos detalhes e responsabilidade — qualidades que se traduzem em reputação e fidelização de hóspedes.